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A tributação dos estacionamentos de Salvador

A Lei Complementar 116/03 que dispõe acerca do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, de competência dos Municípios e do Distrito Federal acrescentou à Lista de Serviços no seu item 11.01 a atividade de guarda e estacionamento de veículos terrestres automotores, de aeronaves e de embarcações. Desta forma, desde 2004, quando os códigos municipais reproduziram a já citada Lista, é permitida a sua tributação, considerando o imposto devido no local onde o bem estiver guardado ou estacionado. Esse tema voltou à baila com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a lei soteropolitana que regulava a gratuidade de estacionamento em shopping centers por versar sobre matéria de direito civil de competência legislativa da União, já que trata de direito de propriedade, além de violar o princípio da livre iniciativa e da concorrência.

O fato é que independente da cobrança ou não pelos shoppings, a própria atividade de estacionamento foi relegada pelo fisco de Salvador desde 2002, quando de forma equivocada se implantou o regime de estimativa, não havendo uma correta e real tributação desse setor. Sabe-se que o regime de estimativa é utilizado para se cobrar imposto dos serviços de difícil apuração de base de cálculo, o que não ocorre com os estacionamentos. Sendo assim, enquanto os demais contribuintes pagam o ISS sobre o faturamento bruto, os estacionamentos da cidade recolhem valores fixos mensais baseados numa receita estimada muito aquém do montante auferido, usufruindo ainda de um redutor concedido pela SEFAZ no fator de ocupação, não previsto na legislação. Os serviços de vallet, que tem preços significativos e são tão usuais na zona urbana, sequer são tributados ou fiscalizados, ocasionando uma enorme evasão de recursos para o erário municipal.

Imaginava-se que a nova administração de Salvador, ávida pelo incremento de receita própria, imputasse tal qual fizera na cidade de São Paulo em 2012, o pagamento antecipado do ISS com a utilização do cupom de serviço de estacionamento e de vallet, sendo seu uso obrigatório para todos os prestadores de serviços que exercessem essa atividade dentro do município, fato que efetivamente não aconteceu. Ou que pelo menos, retirasse o segmento do regime de estimativa e o obrigasse a emitir nota fiscal de serviços eletrônica como ocorreu em Belo Horizonte, considerando inidôneos os demais documentos como recibos provisórios e tickets. A realidade é que nem mesmo a criação da Nota Salvador foi capaz de sensibilizar os gestores da necessidade de eliminar de uma vez por todas o benéfico regime de estimativa dos estacionamentos e passar a tributá-los como os demais ramos. Eles são inclusive dispensados da obrigatoriedade de emissão de nota fiscal pela legislação municipal, exceto os optantes do Simples Nacional.

Embora haja previsão legal de cobrança do ISS desde a LC 116/03, pouco se tem discorrido sobre a tributação dos estacionamentos de embarcações e aeronaves, quando o imposto incide sobre a prestação onerosa desses serviços a terceiros. Ainda que os serviços sejam prestados por clube ou associação, a relação jurídica estabelecida tem caráter mercantil, não havendo que se falar em isenção. Por conseguinte, o Município de Salvador dispõe de um vasto campo para alargamento de sua base tributária e ainda pode recuperar o ISS dos últimos cinco anos não cobrados das atividades de guarda e estacionamento de aeronaves e embarcações.

São exações dessa natureza como a cobrança do imposto sobre serviços de estacionamentos que possibilitam o aumento da arrecadação numa cidade pobre como Salvador, sem que haja maior ônus àqueles que a exemplo dos contribuintes do IPTU possuem apenas bens materiais para a própria sobrevivência como a moradia.

Karla Borges

(Artigo publicado na Tribuna da Bahia de 16/12/13)

Fundação Lemann passa a oferecer bolsas para brasileiros na escola de educação de Columbia

Uma das melhores escolas de educação do mundo – o Teacher’s College, de Columbia – passa a oferecer bolsas de estudos para brasileiros a partir de 2013. As oportunidades são resultado da parceria firmada em janeiro entre o Teacher’s College e a Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos que financia um dos maiores programas privados de bolsas do país, o programa Lemann Fellowship.

Nos próximos dez anos, o programaLemann Fellowship quer ajudar a formar 500 líderes, em universidades de excelência como Harvard, Stanford e Columbia. As bolsas são destinadas a pessoas extremamente comprometidas em ajudar a resolver alguns dos graves problemas sociais que o país ainda enfrenta, entre eles a educação.

Além das bolsas de estudo, os Lemann Fellows contam com um apoio para o desenvolvimento de suas carreiras no retorno ao Brasil. A ideia é garantir que consigam ter o maior impacto possível em suas áreas de atuação. Atualmente, 97 Lemann Fellows fazem parte desta rede de talentos, ocupando posições de destaque em fundações, secretarias de educação e organizações internacionais.

As novas bolsas do programa Lemann Fellowship no Teacher’s College valem apenas para programas de mestrado e cobrem todos os custos com a anuidade, além de parte das despesas pessoais dos estudantes. As inscrições para o período letivo 2013-2014 estão abertas até abril.

“Estamos orgulhosos que o Teachers College é a principal escolha como escola de pós-graduação em educação para talentosos estudantes internacionais, que se tornam futuros grandes educadores e líderes em seus países, disse Thomas Rock, Diretor Executivo de matrículas do Teachers College. “Estamos entusiasmados em participar do programa Lemann Fellowship, e ansiosos para receber um grupo de estudantes talentosos que vão enriquecer o nosso ambiente intelectual e valorizar a diversidade global do TC.”

Para se candidatar, é preciso primeiro ser admitido no processo seletivo regular da escola. Só então, o candidato poderá passar por um segundo processo, para obtenção da bolsa. Ambos são coordenados diretamente pela universidade, sem a participação da Fundação Lemann. Para mais informações acesse www.fundacaolemann.org.br/fellowship

(Fonte Fundação Lemann)

Os novos alvos dos hackers

Serviços de infraestrutura, como distribuição de energia e de água, além de redes de plantas industriais e de produção de petróleo e gás passam a ser alvo de ataques virtuais

Dos desktops aos smartphones, dos tablets aos caixas eletrônicos, hoje, poucos equipamentos escapam das técnicas cada vez mais sofisticadas dos hackers. Agora, uma outra frente começa a ser alvo das ações das gangues digitais: as redes de automação industrial, responsáveis pelo controle de linhas de produção, e de serviços de infraestrutura crítica, como a distribuição de água e energia, e a produção de petróleo e gás.

Com um arsenal que compreende desde armas cibernéticas – supostamente criadas por governos – até vírus comuns, do tipo que infectam computadores domésticos, esses ataques permitem, por exemplo, que o hacker controle remotamente uma planta nuclear, interrompa o fornecimento de energia em um município, ou suspenda a produção de uma linha de montagem. Diferentemente dos ataques convencionais, o principal vetor de infecção é o fato dessas estruturas estarem muito expostas a terceiros – mal intencionados ou não – que são responsáveis, por exemplo, pela manutenção das máquinas.

“Até pouco tempo, o número de ataques nesses ambientes era incipiente. No entanto, essa foi uma das vertentes de ameaça em segurança que mais cresceram desde o fim de 2012”, diz Miguel Macedo, diretor de canais e marketing da japonesa Trend Micro.

Diante desse cenário, a Trend Micro acaba de fechar uma parceria com a brasileira TI Safe – integradora de segurança especializada em redes de automação – para oferecer pacotes de sistemas e serviços de proteção voltados aos ambientes industriais e de infraestrutura crítica no mercado brasileiro.

A Trend Micro fornecerá sistemas criados especificamente para esse segmento. Já a TI Safe responderá pela implantação dessas tecnologias e pela estrutura comercial de vendas e atendimento. “Nós criamos a tecnologia, mas não tínhamos a expertise para atender esse tipo de cliente na ponta”, afirma Macedo.

As redes de automação possuem particularidades que as diferenciam das ditas redes corporativas convencionais. “Até meados da década de 90, essas redes eram apartadas dos demais ambientes das empresas e, por isso, os profissionais responsáveis não precisavam se preocupar com segurança”, diz Marcelo Branquinho, diretor-executivo da TI Safe. Além da falta de uma cultura de segurança, outro desafio é a relação das empresas com as companhias que fornecem os equipamentos de automação. Esses fabricantes restringem a instalação de softwares de segurança, alegando que esses sistemas podem afetar a configuração das máquinas. Essa abordagem inibe o investimento dos donos das plantas industriais, que temem perder a garantia e o suporte a essas máquinas.

O fato dessas redes controlarem serviços que exigem operação ininterrupta é mais um fator agravante, pois limita a atualização dos sistemas de proteção, já que esse processo exige paradas programadas no ambiente .

Diante desse quadro, a TI Safe detectou 13 incidentes apenas em sua base de clientes, no intervalo de junho de 2008 até o fim de 2012. Em um desses casos, uma planta de energia de uma siderúrgica brasileira teve seu parque de automação de 180 computadores contaminado por um vírus. A produção não foi afetada, mas durante duas semanas, a companhia não conseguiu enviar relatórios para órgãos governamentais. “Por conta desse atraso, a empresa sofreu com multas extremamente pesadas”, diz Branquinho.

O interesse por essa vertente no país também foi atestado pela Trend Micro. Recentemente, a empresa fez uso de um honeypot – técnica na qual um fornecedor simula um ambiente vulnerável para atrair a atenção dos hackers. Em apenas 18 horas, a ferramenta que forjava um estrutura de automação detectou mais de 30 ataques.

Stuxnet foi o marco desse tipo de ameaça

Os ataques voltados aos ambientes industriais e de infraestrutura crítica começaram a chamar atenção em 2010, coma descoberta do Stuxnet, vírus que atacou duas usinas nucleares no Irã. O responsável pela ameaça em questão nunca foi identificado, mas o ataque foi muitas vezes atribuído a uma cooperação entre os governos dos Estados
Unidos e de Israel.

“O Stuxnet foi o grande divisor de águas nesse cenário de ameaças no campo da automação. Foi a primeira arma cibernética de que se tem notícia que atacou com sucesso uma infraestrutura crítica”, diz Marcelo Branquinho, diretor-executivo da TI Safe. “Desde então, surgiram outras ameaças sofisticadas, como o Flame e o Duqu”.

Desenvolvido especificamente para aquelas duas plantas iranianas, o Stuxnet trouxe uma série de transtornos. Entre outros danos, o vírus fez com que as centrífugas das instalações rodassem com uma velocidade 40% maior do que em uma operação normal, o que abalou a estrutura das usinas.

Moacir Drska   (mdrska@brasileconomico.com.br)
10/12/13 11:01

(Fonte: Brasil Econômico)

Sonegação no Brasil é 20 vezes maior que gasto com Bolsa Família

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A sonegação no Brasil é 20 vezes maior do que o valor gasto com o Programa Bolsa Família. O cálculo é do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), que volta a exibir hoje (11), em Brasília, o Sonegômetro, para mostrar os prejuízos que o país tem com a sonegação.

O placar, online, indica que a sonegação fiscal no Brasil está prestes a ultrapassar a casa dos R$ 400 bilhões. Desenvolvido pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Sonegômetro apresenta, em tempo real, o quanto o país deixa de arrecadar todos os dias.

Para o presidente do Sinprofaz, Heráclio Camargo, a sonegação caminha em conjunto com a corrupção. “A sonegação e a corrupção caminham juntas porque a corrupção precisa do dinheiro da sonegação para financiar as campanhas de políticos inescrupulosos e fomentar o círculo vicioso da lavagem de dinheiro”, disse ele.

“Infelizmente, o Brasil é leniente”, ressaltou Camargo, porque permite a inscrição, com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), de empresas localizadas em paraísos fiscais. Segundo o presidente do Sinprofaz, basta procurar em todos os jornais, em notícias recentes  e em todas as operações da Polícia Federal.

“É só observar que, em todos os mensalões de todos os partidos, usam-se mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, e o governo federal não muda essa sistemática de permitir que empresas instaladas em paraísos fiscais sejam donas de hotéis, de restaurantes. São negócios que têm uma fachada lícita, mas muitos deles servem para lavar dinheiro”, reclamou.

Nos cálculos feitos por Camargo, R$ 400 bilhões representam aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riqueza produzidas no país), 25% do que é arrecadado.  É 20 vezes mais do que se gasta com o Bolsa Família. De acordo com Camargo, mesmo com os questionamentos sobre esse programa, ele é benéfico para a economia, pois os recursos dele criam um circulo “virtuoso” da economia local. “Imagine se pegássemos 20 vezes esse valor e investíssemos em saneamento básico, na melhoria dos salário dos professores e na estruturação das carreiras de Estado. Seria um outro país, com R$ 400 bilhões a mais do que temos agora.”

Isso sem contar os valores da dívida ativa, que está em R$ 1,4  trilhão, acrescentou Heráclio. Ele destacou que os procuradores sequer têm um servidor de apoio por procurador, enquanto os juízes têm de 15 a 20 servidores. “Os culpados pelo sucateamento da Procuradoria da Fazenda Nacional são o Ministério da Fazenda e a Advocacia-Geral da União.” Para ele, é importante que a sociedade cobre, pois existem 300 vagas em aberto para a carreira de procurador e não há, também, carreira de apoio para combater o que ele considera “sonegação brutal” [R$ 400 bilhões] e tentar arrecadar melhor essa dívida de R$ 1,4 trilhão.

“São quase R$ 2 trilhões que estão aí para ser cobrados, e o governo pune os mais pobres e a classe média com uma tributação indireta alta e, notadamente, com a contrapartida baixa que é dada pelo Estado brasileiro, afirmou.

Edição: Nádia Franco

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TJ-SP concede liminar que suspende o aumento do IPTU na cidade de São Paulo

Decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira (11/12) em São Paulo

Em sessão realizada na tarde desta quarta-feira (11/12), o Tribunal da Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) concedeu liminar que suspende o aumento do IPTU na cidade de São Paulo.

Na votação por ampla maioria, o TJ-SP aceitou o pedido de liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), ao lado de outras 25 entidades, em novembro, para a suspensão do aumento do imposto, que, conforme proposta da prefeitura de São Paulo, pode chegar a 35% em 2014 e se estender para os próximos anos.

Dos 25 votos de desembargadores, 22 votaram a favor do pedido da Fiesp, dois contra e um se absteve da decisão.

Nas apresentações dos desembargadores presentes à sessão, foram apresentados argumentos como a “inconstitucionalidade desde o seu nascedouro” do reajuste, “inconstitucionalidade flagrante”, “irregularidades na violação aos princípios da capacidade contributiva” e o fato de São Paulo “ser uma referência para todo o país”.

Outros argumentos apresentados pelos embargadores favoráveis à ação da Fiesp: os “locatários terão capacidade de gerir as suas atividades comprometidas”, a situação é “extremamente abrupta” e “se os imóveis se desvalorizarem, o imposto vai baixar”?, “a legislação produzirá efeitos para os próximos exercícios”.

Em breve pronunciamento durante da sessão, já que não foi feita a sustentação oral por ambas as partes, o advogado e professor-doutor Ives Gandra da Silva Martins, defensor da Fiesp na ação, os elementos apresentados contra o reajuste estiveram em “todos os jornais durante todo esse tempo”.

“A análise em fevereiro, depois que tudo foi lançado, se a medida não foi discutida com o povo, é mais difícil”, afirmou Ives Gandra. “Os lançamentos serão feitos e a reversibilidade será difícil a partir de fevereiro”, completou.

De acordo com o diretor titular do Departamento Jurídico (Dejur) da Fiesp, Helcio Honda, a decisão estava dentro das expectativas da entidade. “Ganhou a população paulista e se preservaram os princípios constitucionais da justiça tributária, da capacidade contributiva e da razoabilidade do aumento dos tributos”, afirmou. “Foi uma grande vitória da Fiesp, cuja principal missão é a preservação dos princípios do direito e do seguimento das regras constitucionais”.

Segundo Honda, a Fiesp “nunca teve medo de brigar por aquilo que é justo e correto”.

Para o 2º diretor secretário da Fiesp, Mario Eugenio Frugiuele, “ganha a sociedade paulistana como um todo, ganha o que é justo e a necessidade de se preservar as instituições”.

“A Fiesp tem função de estar sempre atenta para que os processos democráticos e jurídicos sejam sempre atendidos”. Esse reajuste não foi debatido com a população”, assinalou Frugiuele.

A liminar suspende de forma imediata o aumento estabelecido pela lei recentemente sancionada pelo prefeito.

(Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp)

IPTU mais caro vai alavancar arrecadação para R$ 319 mi

Prefeitura justifica que o percentual do valor de mercado de um veículo (IPVA) é maior que no caso dos imóveis

Com 670 mil imóveis cadastrados e meta de ampliar a arrecadação do Imposto Predial e territorial Urbano (IPTU) de Fortaleza, em pelo menos, R$ 100 milhões, no próximo ano, elevando de R$ 219 milhões, neste ano, para R$ 319 milhões o montante a ser recolhido com o tributo, a Secretaria de Finanças do Município (Sefin) explicou ontem, enfim, como pretende chegar a essa soma, em 2014. A partir de exemplos de reajuste da planta de valores de alguns imóveis da cidade, o contribuinte pode tentar fazer, se entender um pouco de cálculos percentuais, a conta do IPTU a ser pago no ano que vem.

Dono de imóvel terá que considerar o aumento do valor venal, a inflação e, se morar em prédio com elevador, o fator de verticalização FOTO: WALESKA SANTIAGO

De acordo com o gerente da Célula do IPTU, da Sefin, Cleiton Bustamanti, o cálculo é complexo, já que combina as faixas de reajuste com as alíquotas de tributação de 0,6%,0,8% e 1,4%. Conforme antecipou o Diário do Nordeste, na edição de ontem, a Comissão Conjunta de Orçamento da Câmara Municipal já aprovou o reajuste do imposto proposto pela base aliada do prefeito Roberto Cláudio.

Índices

Os índices aprovados são: 15% para os imóveis com valor venal de até R$ 58.500,00; de 20%, para as unidades habitacionais, com valores venais entre R$ 58.501,00 a R$ 210.600,00 e de 35%, para os imóveis acima desse patamar. Propriedades com valores venais até R$ 52 mil, estarão isentos do pagamento do IPTU; enquanto os comerciais, industriais e os terrenos serão tributados em 30%, independentemente de valor e localização.

Cálculos

Partindo dos novos índices, e tomando-se por exemplo um apartamento com valor venal de R$ 100 mil, explicou Bustamanti, o proprietário deve aplicar o percentual correspondente à segunda faixa, de 20%, e encontrará o novo valor venal do imóvel, de R$ 120 mil.

Desse total, o contribuinte deve aplicar a alíquota de 0,6% sobre o montante de R$ 58,5 mil, resultando em R$ 351,00. Em seguida, deve deduzir dos R$ 120 mil, o valor de R$ 58,5 mil, relativos à 1ª faixa, e aplicar a alíquota de 0,8%, sobre a diferença, ou seja, sobre os R$ 61,5 mil restantes, o que irá resultar em R$ 492,00. O valor do IPTU desse imóvel em 2014, será a soma dos R$ 351,00, da 1ª faixa, com os R$ 492,00, da segunda, o que resultará em R$ 843,00.

O mesmo raciocínio, explica Bustamanti, pode ser aplicado para imóveis de quaisquer valores. Ele lembrou, no entanto, que nos apartamentos a partir do segundo andar, o contribuinte terá de aplicar o fator de verticalização de 0,5%, por andar, a partir do segundo piso.

Dessa forma, um apartamento com valor venal de R$ 500 mil, situado no 11º andar, em qualquer bairro da cidade, terá reajuste de 35%, no que resultará em R$ 675 mil. Sobre esse montante, deve-se multiplicar mais 5%, totalizando R$ 708.750,00, que será o novo valor venal do imóvel, contabilizando um reajuste total do valor venal de 41,75%.

Justificativas

Para justificar os novos índices, para representantes de entidades de classe e para populares participantes de audiência pública realizada na tarde de ontem, na Câmara Municipal, o titular da Sefin, Jurandir Gurgel, utilizou-se de gráficos e tabelas comparando o IPTU cobrado em Fortaleza, com o de outros Estados da região. Relacionou-o com o ITBI, e até com o IPVA, para explicar os motivos que levaram o executivo a reajustar o IPTU de 2014, em bases bem a acima da inflação de 2013.

´Peso menor´

Na oportunidade, mostrou uma tabela em que revela o peso de 0,3% do IPTU pago sobre um imóvel com valor venal de R$ 1,22 milhão, e o peso de 2%, sobre o IPVA de um veículo com valor fiscal de R$ 53.594,00.

As explicações, no entanto, não convenceram os vereadores de oposição. “Esses novos índices apresentados pela base aliada são um jogo de cena. São os que, de fato, o prefeito queria aprovar”, criticou o vereador Guilherme Sampaio (PT). A mesma opinião tem a vereadora Toinha Rocha (PSOL). Ela apresentou emenda propondo reajuste com seis faixas, mas reconhece que não será aprovada.

CARLOS EUGÊNIO
REPÓRTER

OAB quer ISS menor para sociedades

A OAB-CE entregou ontem à Câmara Municipal o pedido de diminuição no reajuste proposto pela Prefeitura de Fortaleza para o Imposto Sobre Serviços (ISS) que incide sobre as sociedades de profissionais liberais.

Os advogados estão entre as sociedades que seriam afetadas. Junto a categoria estão os contadores, médicos e outros profissionais de nível superior.

O reajuste faz parte do Projeto de Lei Complementar nº 73/2013, enviado à Câmara Municipal para a reforma do Código Tributário de Fortaleza.

O pedido foi entregue pelo secretário geral da OAB-CE, Jardson Cruz e pelo presidente da Comissão de Estudos Tributários do órgão, Pedro Jorge Medeiros, ao presidente da Câmara, Walter Cavalcante, e ao secretário de Finanças do Município, Jurandir Gurgel Gondim Filho.

“Taxas altíssimas”

Um ponto de maior reivindicação da comissão da OAB-CE após análise técnica é o montante fixado para o teto entre da cobrança do ISS das sociedades, que segundo o órgão teria “valores de taxas altíssimos”. A Ordem pede uma redução do teto de R$ 600,00 para R$ 200,00 – correspondente à faixa superior, das empresas com mais de 20 sócios; e a isenção da cobrança para o primeiro ano de atuação da sociedade.

“Nosso objetivo é fomentar que os jovens profissionais se organizem em sociedades, tirando muitos talentos da informalidade”, afirmou o secretário geral da OAB-CE, Jardson Cruz.

Representantes do município prometeram analisar as sugestões enviadas.

(Fonte: Diário do Nordeste)

Prefeitura recua e eleva isenções

Apesar do recuo, os percentuais de aumento propostos pelo prefeito para o IPTU estão bem acima da inflação do ano

Passada uma semana desde que a proposta de elevação dos valores da planta de imóveis de Fortaleza foi encaminhada à Câmara Municipal, o prefeito Roberto Cláudio confirmou ontem, publicamente, que está disposto a ceder um pouco e a acatar os índices de reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), sugeridos pelos vereadores da base aliada. O chefe do executivo municipal sinalizou positivamente com a perspectiva de elevar de R$ 26.383,85 para R$ 52.767,70 o valor dos imóveis isentos de pagamento do tributo, a partir de 2014, além de reduzir de 17,5% para 15% a tributação dos imóveis da primeira faixa (até R$ 58,5 mil) e de 22,5% para 20% as unidades habitacionais com valores venais entre R$ 58.501,01 e R$ 210.600,00. Mas manteve em 35% os índices para imóveis, acima deste valor.

Justificativa

Além dos novos índices, ainda devem ser aplicados à base de cálculo, a correção da inflação de 2013, o que deve girar entre 5,5% e 6%, e o fator de verticalização de 0,5%, para os apartamentos, a partir do segundo andar, em prédios com elevadores. As alíquotas de 0,6%, 08% e 1,4% do IPTU permanecem as mesmas, mas quem passar de uma faixa para outra, terá imposto maior a pagar.

Segundo Roberto Cláudio, a correção do IPTU em percentuais acima da inflação do ano de 2013, e da própria correção dos salários da grande maioria dos trabalhadores, se dá para atender à lei municipal, que determina ao gestor público, fazer a correção da planta de valores dos imóveis a cada três anos.

“Estamos há quatro anos (três da administração Luizianne Lins e um da nova gestão) sem reajustar os valores do IPTU. Então, por imposição legal, sob pena de improbidade administrativa, minha e da minha equipe, estamos encaminhando esse reajuste à Câmara”, justificou o prefeito, durante entrevista concedida ontem à TV Diário.

Outro motivo, apontou o prefeito, seria o fato de Fortaleza ter, conforme disse, “uma das plantas de valores mais baixas do País”, com defasagem da ordem de 200%, em relação aos imóveis das cidades de Salvador e Recife. Justificou ainda, a “discrepância” de mais de 300% entre o valor cobrado de IPTU e de ITBI, e “da defasagem de até 400%” existente entre o valor venal e o valor de mercado dos imóveis residenciais de Fortaleza. “Por essas razões e por questão legal, nós decidimos enviar a Câmara (Municipal) essa mensagem (de reajuste do IPTU)”,declarou Roberto Cláudio.

Carga tributária

Ele próprio reconhece, no entanto, que o novo reajuste irá onerar, ainda mais, o contribuinte. “Cobrar imposto é sempre difícil, sobretudo em um País com carga tributária elevada, mas nós não estamos mexendo em alíquotas, estamos apenas reajustando os valores da planta de imóveis”, reiterou.

De acordo a Secretaria de Finanças de Fortaleza, com a elevação do valor venal para R$ 52.767,70, cerca de 104,1 mil imóveis residenciais estarão isentos do tributo. Em compensação, 424,8 mil serão tributados na primeira faixa, 97 mil, na segunda e 16,5 mil, na terceira zona de tributação. Ao todo serão tributados 538,3 mil imóveis, no ano que vem. Provocada pela reportagem, a Secretaria de Finanças disse que estuda disponibilizar um comparativo do valor pago em 2013 e o calculado para 2014 no site da Pasta, mas somente a partir de janeiro. O reajuste do IPTU será votado na Câmara até o próximo dia 19, antes do recesso parlamentar.

CARLOS EUGÊNIO
REPÓRTER

(Fonte: Diário do Nordeste)

Prefeituras têm até esta terça-feira para entregarem alvarás e Habite-se

A Receita Federal anunciou para esta terça-feira (10) o fim do prazo para que as prefeituras apresentam todos os alvarás da construção civil e o Habite-se concedidos em novembro. A não apresentação desses documentos pode levar o município a pagar multa que pode variar, dependendo se for reincidente, no valor de R$ 1,71 mil a R$ 171,73 mil.
O delegado do fisco federal em Manaus, Leonardo Frota, explicou que muitos municípios estão deixando de encaminhar as informações no prazo legal. Segundo ele, as prefeituras inadimplentes poderão sofrer a suspensão no pagamento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
“Precisaremos adotar uma atitude mais firme para forçá-los a cumprir as obrigações tributárias e assegurar um melhor acompanhamento sobre o pagamento das contribuições previdenciárias dos trabalhadores dessas obras”, disse.
Frota ressaltou que a delegacia de Manaus já há algum tempo orienta o cumprimento contínuo dessa obrigação fiscal. “A ausência dessas informações geralmente favorece a sonegação, apropriação indébita e dificulta o gozo dos benefícios sociais dos trabalhadores da construção civil”, explicou.
(Fonte: Em tempo on line)

Prefeitura muda cobrança de ISS para reduzir fraude

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), planeja iniciar o segundo ano de mandato com a “inauguração” de um novo sistema, totalmente informatizado, para a obtenção do certificado de quitação do Imposto Sobre Serviços (ISS) relativo ao Habite-se. O programa vai entrar no ar em 1.º de janeiro e terá modelo semelhante ao usado para a declaração online do Imposto de Renda.

Desenvolvido ao custo total de R$ 750 mil, o sistema calculará o imposto devido e emitirá automaticamente a guia de arrecadação necessária para o pagamento. Isso será possível após a realização de um processo de preenchimento de dados, com o lançamento de notas fiscais eletrônicas. O abastecimento das informações será totalmente digital, ou seja, não dependerá de qualquer tipo de participação de funcionários, reduzindo o risco de fraude.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Finanças ainda usa planilhas manuais para o registro das notas fiscais. Os documentos são recebidos por auditores, que devem atestar sua autenticidade, em um método que abre brecha para a corrupção. O Estado revelou que após iniciar o processo de mudança na fórmula de cálculo e cobrança do imposto a Prefeitura já conseguiu elevar em 42% a arrecadação com o ISS/Habite-se na cidade. Serão R$ 30 milhões a mais em caixa até o fim do ano.

Agilidade. A secretaria ressalta que a implementação do novo sistema também dará mais agilidade a todo o processo.

O programa que entrará no ar no próximo mês permitirá que as notas fiscais eletrônicas indicadas para desconto do imposto de uma obra, por exemplo, fiquem arquivadas no banco de dados municipal. Desse modo, a mesma nota não poderá ser usada novamente para abatimento do cálculo do ISS, o que deve aumentar o controle e a segurança sobre a emissão de Habite-se. Para o contribuinte, o modelo novo traz uma vantagem prática: ele permite o acompanhamento online do pedido.

(Adriana Ferraz – O Estado de S.Paulo)

O que muda nas empresas com a Nota Salvador

O Programa Nota Salvador instituído pela Prefeitura através da Lei 8421/13 passou a vigorar a partir de 1º de dezembro, trazendo inúmeros benefícios à população soteropolitana. Entretanto, alterou de forma significativa a vida das empresas de alguns segmentos econômicos com a publicação do Decreto 24.493/13 em 29 de novembro de 2013, quando restringiu dispositivos previstos no artigo 99 da Lei 7.186/06, utilizando como argumento para tal atitude o parágrafo quinto do referido diploma que dispõe que ato do poder executivo regulamentará a forma de retenção e a de recolhimento do Imposto Sobre Serviços – ISS.

A Lei 7186/06 elenca uma série de pessoas jurídicas qualificadas como responsáveis que são obrigadas a reter e recolher o ISS em relação aos serviços tomados de terceiros nos incisos I ao XXIX do art.99, independente da sua natureza. Eis que o decreto ingressa no ordenamento e subtrai boa parte, permanecendo apenas instituições financeiras, companhias de seguros, concessionárias e permissionárias de serviço público, condomínios não residenciais, administradoras de shopping, lojas de departamento, supermercados, comércio atacadista, indústrias não integrantes do Simples Nacional e as entidades ou órgãos da administração direta, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista do poder público federal, estadual e municipal, acrescentando, contudo, serviços sociais autônomos.

Desta forma, ficaram dispensados da retenção do ISS, os condomínios residenciais, as associações sem fins lucrativos, as concessionárias de veículos, as administradoras de consórcio, as cooperativas, as operadoras de cartões de crédito, as entidades desportivas e promotoras de bingos e sorteios, as empresas de previdência privada, as instituições de ensino, os laboratórios de análise, prontos-socorros, casas de saúde e repouso, bancos de sangue, empresas de rádio e televisão, companhias de aviação, administradoras de portos, aeroportos e terminais. Ou seja, com a instituição do programa, no momento da emissão da nota salvador pelo prestador o próprio sistema impede que o imposto seja retido no documento se os elencados acima forem os tomadores, ainda que a lei os obrigue.

O decreto também inovou ao criar restrições para algumas categorias, indicando quais serão os serviços tomados passíveis de substituição tributária para hospitais e clínicas, planos de saúde, empresas de propaganda e publicidade, construção civil e incorporadoras imobiliárias, que até então eram obrigadas a promover a retenção e o recolhimento do ISS por todos os serviços que lhes fossem prestados, sem qualquer distinção. Responderá supletivamente pela obrigação tributária, a ser apurada em ação fiscal, o prestador de serviço que der causa à falta ou retenção a menor, omitir ou prestar falsas declarações, adulterar qualquer documento, induzir um menor recolhimento e quando houver liminar em processo judicial. Já os contribuintes desobrigados a retenção e ao recolhimento do ISS permanecem os mesmos previstos em lei.

O artigo 10 do já citado decreto reza que o Secretário Municipal da Fazenda poderá definir, em ato próprio, outros serviços sujeitos à retenção na fonte, bem como indicará os itens da lista de serviços e a classificação das atividades de acordo com a CNAE. Os responsáveis estão obrigados ao recolhimento integral do imposto devido e acréscimos legais, independente de ter sido efetuada a sua retenção. No caso de recolhimento indevido ou a maior, é competente para solicitar a repetição do indébito o substituto tributário, eliminando de uma vez por todas o substituído de ingressar com processo de restituição de importância.

O regime de substituição tributária foi instituído no Brasil com o objetivo de garantir maior eficácia na arrecadação dos tributos, sendo mais fácil cobrar de um do que de muitos. O Código de Salvador já prevê essa modalidade desde 1990 e com o passar dos anos as atividades foram sendo ampliadas. Surpreendentemente, o novo decreto retira da lei diversas atividades passíveis de retenção do ISS, estabelecendo, inclusive limites para determinados serviços. Hospitais e clínicas, por exemplo, que além de prestadores de serviços na área de saúde, são responsáveis pela retenção do imposto, qualificados como substitutos tributários, em relação a quaisquer serviços, serão impedidos de reter o ISS no caso de contratação de obras de construção civil, uma vez que a Nota Salvador de forma compulsória destacará o tributo para o prestador. Resta aos contribuintes aguardar a decisão do Judiciário a fim de que este esclareça o que deve permanecer no mundo jurídico, a letra da lei ou o decreto do executivo.

Karla Borges

(Artigo publicado na Tribuna da Bahia de 09/12/2013)

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