Taxa de desemprego no Brasil é a menor desde 2012: quase 1 milhão de empregos em 2026
A economia brasileira novamente apresenta sinais consistentes de fortalecimento do mercado de trabalho. Os dados do Novo Caged (Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados na quarta-feira, 29, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que o país criou 921.645 empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, enquanto a taxa de desemprego caiu para5,4% no trimestre até junho, alcançando o menor índice da série histórica iniciada em 2012.
Os resultados consolidam um aumento do emprego formal e a recuperação da renda do povo brasileiro neste terceiro mandato do presidente Lula.
A combinação entre investimentos públicos, retomada de programas sociais, fortalecimento da indústria, estímulo ao crédito e valorização do mercado interno tem contribuído para ampliar a atividade econômica e criar novas oportunidades de trabalho em praticamente todas as regiões do país.
O setor de serviços permaneceu como principal motor da geração de empregos,respondendo por mais da metade das novas contratações do semestre. Áreas ligadas à educação, saúde, administração pública e serviços sociais tiveram papel decisivo na expansão das vagas, refletindo o aumento da atividade econômica e da demanda por mão de obra.
De acordo com o professor de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniel Arruda Coronel, o resultado desses números positivos se deve a três fatores: a expansão dos setores de serviços de comércio, o aumento da população ocupada e um número significativo de brasileiros e brasileiras que retornam ao mercado de trabalho.
“Um outro (ponto) é o estímulo do consumo através das políticas sociais e das políticas de infraestrutura por parte do governo federal, bem como o retorno do desalento de pessoas que estão conseguindo inserir-se no mercado de trabalho.”
Segundo o professor, os resultados “são extremamente importantes”. “O Brasil, em 2022, estava com altas taxas de desemprego, estava no mapa da fome, ou seja, vários problemas extremamente complicados dificultavam a inserção do país no comércio internacional, bem como agravavam o aumento das desigualdades econômicas e sociais”, analisa.
A prioridade dada aos investimentos públicos, às obras de infraestrutura, à retomada do Minha Casa, Minha Vida, ao Novo PAC e às políticas de incentivo à produção nacional tem ampliado a circulação de renda e impulsionado a contratação de trabalhadores.
Os dados do Novo Caged mostram um mercado de trabalho aquecido em todos os cinco grandes setores econômicos. A maior contribuição veio do segmento de Serviços, responsável pela abertura de 74.514 postos de trabalho, crescimento de 0,3%, puxado pelo ramo de serviços administrativos e apoio às empresas, que sozinho respondeu por 26.634 vagas.
O campo também apresentou forte desempenho: a Agropecuária expandiu sua força de trabalho em 1,2%, gerando 22.898 oportunidades. Em seguida figuram o Comércio, com acréscimo de 19.177 vagas (+0,2%), a Indústria, que adicionou 14.438 empregos formais (+0,2%), e a Construção Civil, responsável por 14.136 novas contratações (+0,5%).
Na divisão regional, quase todo o país teve balanço positivo. Os destaques ficaram por conta de São Paulo (+34.981), Minas Gerais (+20.805) e Rio de Janeiro (+16.856). No caminho inverso, somente o Espírito Santo perdeu postos de trabalho (-2.259 vagas, puxado pelo fim da colheita do café) e o Tocantins, com -115 vagas.
Questões globais
Mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas, conflitos e guerras que afetam a economia mundial, o Brasil manteve um mercado de trabalho resiliente. A continuidade da criação de empregos formais fortalece o consumo das famílias, amplia a arrecadação e contribui para um crescimento econômico.
De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, alguns números ficaram abaixo do esperado, pois teve a evidente a contribuição do Trump, com os tarifaços, e as consequências que “a bagunça que cria para alguns setores da economia”, disse. Marinho ainda considerou que as guerras da Rússia e Ucrânia, as de Israel e depois dos Estados Unidos e Irã também geraram consequências para diversos eixos. O ministro pontuou o problema dos fertilizantes e escalonando para a questão do petróleo, que levaram o governo federal a segurar o crescimento.
“Levando em consideração essas consequências, acredito sinceramente que nós estamos num viés positivo. A economia, para muitos, ela deveria estar em decréscimo, nós continuamos crescendo, de forma resistente, resiliente, de forma crescente, levando em consideração as consequências do tarifaço, das guerras, enfim. Não creio que vai haver uma desaceleração que inverta a curva para negativo. Creia que vai continuar positivo até novembro”, afirma.
Vagas por gênero
A criação de vagas no mês ficou praticamente empatada entre homens (72.569) e mulheres (72.592). O grande fator desse crescimento foi o público jovem com até 24 anos, que concentrou 86,4% de todas as oportunidades abertas, o equivalente a 125.430 novos trabalhadores e trabalhadoras no mercado.
No recorte educacional, quem concluiu o ensino médio liderou as contratações, somando 109.255 vagas, enquanto aqueles que ainda estão cursando respondem por 15.185 postos. O conjunto das demais faixas de escolaridade acumulou um avanço de 20.721 empregos.
Na análise por raça e cor, o resultado ficou: para pardos (106.176), brancos (28.636), negros (20.199) e indígenas (776). Em contrapartida, houve uma pequena retração entre amarelos (-66).
Média Salarial
A remuneração média salarial de junho subiu para R$ 2.404,34. Ou seja, um acréscimo de R$ 16,90 (+0,7%) em relação a maio (R$ 2.387,44). Quando comparado ao mesmo mês do ano passado, já ajustado pelas variações da época, o ganho real foi de R$ 27,39 (+1,2%).
No caso das contratações no modelo padrão (trabalhadores típicos), a média salarial alcançou R$ 2.446,27 — valor 1,7% acima da média geral do período. Por outro lado, quem ingressou em modalidades não típicas recebeu, em média, R$ 2.101,51, patamar 12,6% inferior à média global.
Os resultados divulgados reforçam uma marca do terceiro governo Lula: a recuperação do emprego como instrumento de desenvolvimento. Com mais brasileiros trabalhando, maior formalização e o menor índice de desemprego da história da pesquisa, o governo Lula sustenta que crescimento econômico e inclusão social caminham juntos.
Fonte: Gov e pt

