O Estado de São Paulo liderou as exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024. Dos cerca de US$ 40,3 bilhões que o Brasil vendeu para o país do presidente Donald Trump, o Estado respondeu por um terço do total, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Ele exportou US$ 13,5 bilhões, o equivalente a 33,6% do total.
Os seis Estados que mais venderam para os EUA, em 2024, foram:
– São Paulo: US$ 13,5 bilhões (33,6% do total)
– Rio de Janeiro: US$ 7,2 bilhões (17,9%)
– Minas Gerais: US$ 4,6 bilhões (11,4%)
– Espírito Santo: US$ 3,1 bilhões (7,6%)
– Rio Grande do Sul: US$ 1,8 bilhão (4,5%)
– Santa Catarina: US$ 1,7 bilhão (4,3%)
No caso de São Paulo, a pauta exportadora foi concentrada em aeronaves produzidas pela Embraer, na região do Vale do Paraíba, seguidas por equipamentos de engenharia civil e suco de frutas. “O impacto (da tarifa de 50% prometida por Trump) para São Paulo é negativo. São Paulo é um grande exportador. O maior destino das exportações industriais do Estado de São Paulo são os Estados Unidos.
Segundo maior exportador, o Rio de Janeiro comercializa principalmente óleos brutos de petróleo para os EUA. O segundo item mais vendido são os produtos semi-acabados de ferro e aço. Em terceiro, ficam os óleos combustíveis de petróleo.
Minas Gerais, por sua vez, sofreria impactos em suas exportações de café não torrado, ferro-gusa e tubos de ferro ou aço.
Já o Espírito Santo vende mais produtos semi-acabados de ferro ou aço, seguidos por cal, cimentos e material de construção, e depois por celulose.
Saiu do Porto de Santos, no ano passado, 31,8% do valor das exportações brasileiras para os EUA. Todos os cinco principais pontos de saída estão no Sudeste. Depois de Santos, apareciam o Porto de Itaguaí e o Porto do Rio de Janeiro, ambos no Rio, e por fim o Porto de Vitória e o Aeroporto de Guarulhos.
“O Sudeste sofre impacto maior, até porque a indústria está concentrada na região, assim como o PIB brasileiro”, afirma Larissa Wachholz, sócia da Vallya Participações e pesquisadora sênior do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).
Diversos dos produtos mais vendidos do Brasil para os EUA têm produção relevante no Sudeste. A região respondeu em conjunto por mais de 70% das exportações ao país da América do Norte, em 2024, segundo a Amcham. No primeiro semestre deste ano, o Sudeste respondeu por 68% das exportações, que somaram US$ 20 bilhões, um aumento de 4,4%, em relação ao mesmo período do ano passado.
Wachholz, que foi assessora especial do Ministério da Agricultura, lembra que o minério de ferro brasileiro, que abastece as siderúrgicas americanas, são extraídos no Sudeste e no Pará, e o eucalipto tem origem em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Mesmo a carne, com produção difundida pelo país, encontra grande parte de sua origem no Sudeste. Em especial, de bovinos. Os suínos são mais concentrados no Sul do país.
“O principal motivo de preocupação é que a qualidade de exportações brasileiras para os EUA chama atenção. A pauta exportadora para lá seria o sonho se fosse para todo o mundo, com roupas, calçados, aviões, autopeças, motores e produtos com marcas brasileiras, como frutas”, afirma Wachholz. “Se esta situação puder servir de lição para a indústria, é que nunca é bom colocar seus ovos em poucas cestas, e que as empresas devem buscar difundir ao máximo os seus produtos para mais mercados”, diz a pesquisadora. “É possível reavaliar a estratégia de abertura comercial, e isso serve mais para a iniciativa privada do que para governos, porque muitas vezes os acordos internacionais não são concluídos porque não se encontram consensos no setor produtivo. Sempre tem perdedores e vencedores em cada acordo, mas, em geral, podem ajudar a economia como um todo.”
Posicionamentos regionais – As associações empresariais das regiões afetadas responderam às ameaças de Trump com análises sobre os seus efeitos e com dicas de como a diplomacia deve conduzir a questão.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou que, se confirmada a aplicação de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, “o impacto sobre a indústria mineira será bastante significativo”. Os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações de Minas Gerais, diz, “com destaque para o setor de siderurgia, que já enfrenta uma crise internacional devido ao excesso de exportações por parte da China”.
No caso do aço, o setor já vinha sendo afetado por sobretaxas desde março deste ano. “As novas tarifas, no entanto, devem impactar todas as exportações mineiras para os EUA, pois o patamar de 50% inviabiliza o comércio entre os dois países. Não há produto que suporte uma sobretaxa tão elevada”, disse. “As commodities tendem a ter mais facilidade de redirecionamento no mercado internacional. O café cru, por exemplo, pode buscar outros mercados por conta de sua dimensão global, mas também será afetado, já que os EUA são o maior importador mundial de café, e o Brasil, o maior exportador.”
Por meio de nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, adotou a mesma linha. “Negociar com serenidade, a partir de fatos e estatísticas verdadeiras, é de interesse comum às empresas brasileiras e americanas, que sempre foram bem-vindas ao Brasil”, escreveu. “Esperamos que a diplomacia e as negociações equilibradas prevaleçam, a despeito de ideologias e preferências pessoais, e que o bom senso volte a nortear a relação entre essas duas grandes nações soberanas.”
Mas ele também criticou a politização do uso das tarifas por parte de Trump e a distorção de fatos. “Pode parecer desnecessária essa afirmação, mas, quando razões não econômicas são usadas para justificar a quebra de todo o regramento comercial e do direito internacional, é importante reafirmar esses princípios”, diz a nota. “Apesar do impacto negativo para a indústria brasileira da elevação de tarifas unilateralmente pelos EUA, entendemos que a soberania nacional é inegociável. Este é um princípio balizador”, escreveu Gomes. “É importante lembrar que os EUA têm relevante superávit com o Brasil não só na balança comercial, mas, ainda maior, também na balança de serviços. Desconhecer mais de 200 anos de excelentes relações internacionais e comerciais não atende a nenhum dos dois países.”
Fonte: Diário do Comércio
Um ranking do Índice de Progresso Social (IPS) 2025 mostra as capitais brasileiras com as melhores qualidades de vida.
Desenvolvido pela organização Social Progress Imperative, o IPS mede a qualidade de vida considerando o desempenho social e ambiental de diferentes territórios.
O Ranking foi divulgado pela IPS Brasil. Veja as posições abaixo.
De acordo com a pesquisa, apesar de avanços graduais, os desafios para garantir qualidade de vida à população brasileira permanecem grandes e desiguais no país.
São Paulo, Santa Catarina e Paraná foram os estados mais bem colocados. Na outra ponta, Pará, Maranhão e Amapá apresentaram os piores resultados.
As oito capitais com melhor qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social,são:
- 1 – Curitiba (69,89)
- 2 – Campo Grande (69,63)
- 3 – Brasília (69,04)
- 4 – São Paulo (68,88)
- 5 – Belo Horizonte (68,22)
- 6 – Goiânia (68,21)
- 7 – Palmas (68,18)
- 8 – Florianópolis (67,91)
Na outra ponta, Porto Velho (RO) e Macapá (AP) e Maceió (AL) registraram notas mais baixas, as últimas posições. Veja as cinco piores:
- 23 – Rio Branco (62,29)
- 24 – Salvador (62,05)
- 25 – Maceió (61,48)
- 26 – Macapá (58,72)
- 27 – Porto Velho (57,25)
Fonte: CNN
Gestão municipal aposta na securitização para antecipar recursos financeiros com venda de valores a receber
A Prefeitura de Salvador realizará, em agosto, um leilão inédito de parte da dívida ativa do município, diretamente na B3 — a Bolsa de Valores de São Paulo. O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), que confirmou a iniciativa como parte da estratégia financeira da gestão.
“Vamos agora no mês de agosto levar para a B3 a securitização da dívida ativa. A Câmara Federal aprovou no ano passado a possibilidade de ser feita a securitização, e vamos ter a oportunidade de levar esse processo para um leilão na B3 em agosto”, afirmou o prefeito.
A operação, chamada de securitização, consiste em transformar os valores que a Prefeitura tem a receber de contribuintes inadimplentes em dinheiro imediato, por meio da venda desses créditos para investidores, como bancos ou fundos de investimento. Em troca, a gestão antecipa a receita, mas com desconto, ou seja, recebe menos do que teria direito no futuro.
Securitização divide opiniões e exige fiscalização
Embora legal e prevista na legislação federal, a securitização é um mecanismo financeiro controverso. Especialistas alertam que, sem transparência e destinação adequada, os recursos obtidos podem acabar sendo utilizados em gastos correntes, o que não traz retorno estruturante para a cidade.
Em cenários nos quais as finanças públicas estão equilibradas, o uso dessa ferramenta sem um plano estratégico claro pode representar risco à sustentabilidade fiscal a médio e longo prazo. Por isso, o processo de leilão deve ser rigorosamente acompanhado pelo Tribunal de Contas, Ministério Público e pela sociedade civil.
Transparência e interesse público em pauta
A venda da dívida ativa permitirá à Prefeitura antecipar receitas que só seriam arrecadadas nos próximos anos. A expectativa é que os créditos sejam adquiridos por empresas especializadas com deságio, ou seja, abaixo do valor nominal.
Diante da complexidade e impacto da medida, é essencial que o Executivo municipal garanta clareza nas regras, justa avaliação dos ativos e uso responsável dos recursos. O tema deve entrar na agenda pública, exigindo debate político e fiscalização popular, para assegurar que o interesse coletivo seja preservado na operação.
Fonte: Minha Bahia
Na prestação de contas da Prefeitura Municipal de Salvador, correspondente ao exercício financeiro de 2020 foram consignadas as irregularidades principais, discriminadas a seguir:
- falhas na abertura e oontabilizaçâo dos creditos adIcionais suplementares:
- inconsistências nos registros contábeis:
- inconsistências nos registros do Termo de Conferencia de Caixas e Bancos:
- baixa arrecadação da divida ativa:
- omissão na ccbrança de valores provenientes de créditos a receber junto a terceiros;
- baixas da dívida ativa/ anistia/ cancelamento/ anulação sem os correspondentes Processos Administrativos que deram suporte ao procedimento:
- a relação dos bens patrimoniais apresentada divergência em relação aos valores registrados no Demonstrativo dos Bens Patrimoniais;
- cancelamento de Restos a Pagar sem observar as orientações contidas na Instrução Cameral n° 001/16;
- inconsistências no Parecer do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB, descumprindo o art. 16 da Resolução TCM n.° 1276/08;
- descumprimento do piso salarial profissional nacional de professores, em afronta a Lei n° 11.738/2008;
- ausência de Parecer do Conselho Municipal de Saúde, descumprindo a
Resolução TCM n° 1.378/18; - necessidade de aprimoramento da transparência da Prefeitura Municipal, para fins de cumprimento da Lei Complementar n° 131/2009;
- irregularidades identificadas no acompanhamento da Execução Orçamentária.
Confira o voto completo no site do TCM BA:
Fonte: https://www.tcm.ba.gov.br/tcm-recomenda-aprovacao-das-contas-de-2020-da-prefeitura-de-salvador/

O artigo do Lula publicado hoje em diversos jornais do planeta:
NÃO HÁ ALTERNATIVA AO MULTILATERALISMO
O ano de 2025 deveria ser um momento de celebração dedicado às oito décadas de existência da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas pode entrar para a história como o ano em que a ordem internacional construída a partir de 1945 desmoronou.
As rachaduras já estavam visíveis. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, alguns membros permanentes do Conselho de Segurança banalizaram o uso ilegal da força. A omissão frente ao genocídio em Gaza é a negação dos valores mais basilares da humanidade. A incapacidade de superar diferenças fomenta nova escalada da violência no Oriente Médio, cujo capítulo mais recente inclui o ataque ao Irã.
A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifaços desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial do Comércio foi esvaziada e ninguém se recorda da Rodada de Desenvolvimento de Doha.
O colapso financeiro de 2008 evidenciou o fracasso da globalização neoliberal, mas o mundo permaneceu preso ao receituário da austeridade. A opção de socorrer super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios aprofundou desigualdades. Nos últimos 10 anos, os US$ 33,9 trilhões acumulados pelo 1% mais rico do planeta é equivalente a 22 vezes os recursos necessários para erradicar a pobreza no mundo.
O estrangulamento da capacidade de ação do Estado redundou no descrédito das instituições. A insatisfação tornou-se terreno fértil para as narrativas extremistas que ameaçam a democracia e fomentam o ódio como projeto político.
Muitos países cortaram programas de cooperação em vez de redobrar esforços para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Os recursos são insuficientes, seu custo é elevado, o acesso é burocrático e as condições impostas não respeitam as realidades locais.
Não se trata de fazer caridade, mas de corrigir disparidades que têm raízes em séculos de exploração, ingerência e violência contra povos da América Latina e do Caribe, da África e da Ásia. Em um mundo com um PIB combinado de mais de 100 trilhões de dólares, é inaceitável que mais de 700 milhões de pessoas continuem passando fome e vivam sem eletricidade e água.
Os países ricos são os maiores responsáveis históricos pelas emissões de carbono, mas serão os mais pobres quem mais sofrerão com a mudança do clima. O ano de 2024 foi o mais quente da história, mostrando que a realidade está se movendo mais rápido do que o Acordo de Paris. As obrigações vinculantes do Protocolo de Quioto foram substituídas por compromissos voluntários e as promessas de financiamento assumidas na COP15 de Copenhague, que prenunciavam cem bilhões de dólares anuais, nunca se concretizaram. O recente aumento de gastos militares anunciado pela OTAN torna essa possibilidade ainda mais remota.
Os ataques às instituições internacionais ignoram os benefícios concretos trazidos pelo sistema multilateral à vida das pessoas. Se hoje a varíola está erradicada, a camada de ozônio está preservada e os direitos dos trabalhadores ainda estão assegurados em boa parte do mundo, é graças ao esforço dessas instituições.
Em tempos de crescente polarização, expressões como “desglobalização” se tornaram corriqueiras. Mas é impossível “desplanetizar” nossa vida em comum. Não existem muros altos o bastante para manter ilhas de paz e prosperidade cercadas de violência e miséria.
O mundo de hoje é muito diferente do de 1945. Novas forças emergiram e novos desafios se impuseram. Se as organizações internacionais parecem ineficazes, é porque sua estrutura não reflete a atualidade. Ações unilaterais e excludentes são agravadas pelo vácuo de liderança coletiva. A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas refundá-lo sob bases mais justas e inclusivas.
É este entendimento que o Brasil – cuja vocação sempre será a de contribuir pela colaboração entre as nações – mostrou na presidência no G20, no ano passado, e segue mostrando nas presidências do BRICS e da COP30, neste ano: o de que é possível encontrar convergências mesmo em cenários adversos.
É urgente insistir na diplomacia e refundar as estruturas de um verdadeiro multilateralismo, capaz de atender aos clamores de uma humanidade que teme pelo seu futuro. Apenas assim deixaremos de assistir, passivos, ao aumento da desigualdade, à insensatez das guerras e à própria destruição de nosso planeta.
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta 5ª feira (10.jul.2025) o decreto que cria a modalidade “Carro Sustentável”. Pela medida, veículos que atendem aos critérios do Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) terão alíquota zero de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Segundo a estimativa do governo, com base no número de carros vendidos em 2024, 60% dos veículos comercializados no Brasil, terão redução no imposto.
Durante o evento de lançamento da modalidade, o vice-presidente e ministro do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Geraldo Alckmin, disse que a medida não terá impacto fiscal. Ele não detalhou, no entanto, como a compensação será feita.
PRINCIPAIS CRITÉRIOS
Para ter direito ao IPI 0, que começa a valer a partir de 6ª feira (11.jul), o carro deve atender a 4 requisitos: emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro conter mais de 80% de materiais recicláveis ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem) se enquadrar em uma das categorias de carro compacto. Atualmente, a alíquota mínima para esses carros é de 5,27%. Para os demais veículos que não se enquadram no programa, o decreto também estabelece um novo sistema de cálculo do IPI, que entrará em vigor em 90 dias.
A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimo. Por exemplo, um carro de passeio híbrido-flex pode ter a alíquota reduzida em 1,5 ponto percentual. Se também atender ao critério de eficiência do Mover, perde mais 1 ponto, e se cumprir o nível 1 de reciclabilidade, perde outro. Com isso, o IPI desse veículo cai de 6,3% para 2,8%. Eis os requisitos para redução e os percentuais. A iniciativa faz parte do programa de incentivos fiscais ao setor automotivo, o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), lançado em 2023. Entrou em vigor em 1º de junho, estabelecendo critérios obrigatórios para a comercialização e importação de veículos novos no país. VEÍCULOS APTOS
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, 5 montadoras já têm veículos de entrada aptos a participar do programa com IPI zero. São elas: Volkswagen – Polo; GM – Onix; Renault – Kwid; Hyundai – HB20; e Stellantis – Mobi e Argo.
Fonte: Poder 360
O economista americano Paul Krugman usou palavras contundentes para classificar as tarifas impostas por Donald Trump contra o Brasil.
Em carta enviada a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente dos Estados Unidos anunciou uma incidência de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1° de agosto.
Num artigo publicado no site Substack, Krugman diz que essas tarifas representam um “programa de proteção a ditadores”.
Segundo o especialista, que ganhou o Nobel de Economia em 2008 e é professor da Universidade da Cidade de Nova York, nos EUA, a última cartada de Trump “marca um novo rumo” das políticas tarifárias, que ele classifica de “demoníacas e megalomaníacas”.
“Tudo se resume a punir o Brasil por levar [o ex-presidente] Jair Bolsonaro [PL] a um julgamento”, escreve ele.
Logo no início da carta endereçada a Lula, Trump diz: “Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”
O professor de Economia destaca que essa não é a primeira vez que os EUA usam tarifas com um propósito político.
“O sistema internacional de comércio que estabelecemos depois da Segunda Guerra Mundialfoi em parte motivado pela crença de representantes americanos de que essas trocas, além de serem benéficas do ponto de vista econômico, seriam uma força de paz e poderiam fortalecer a democracia ao redor do mundo. Eles provavelmente estavam corretos e, em todo caso, tratava-se de um objetivo nobre”, pondera Krugman.
“Mas agora Trump tenta usar tarifas para ajudar outro pretendente a ditador. Se você pensa que os EUA são um dos ‘bons moços’ do mundo, essa última decisão mostra o lado em que estamos atualmente”, complementa o professor.
Por que Krugman acha que tarifas aplicadas ao Brasil são megalomaníacas?
Para justificar o título de “megalomaníaco” que ele deu para o anúncio de Trump, o especialista usa estatísticas da Organização do Comércio (OMC), que indicam quais são os principais parceiros comerciais do Brasil.
Segundo os dados relativos ao ano de 2022, a China é o principal parceiro comercial de nosso país e recebe 26,8% das exportações.
Na sequência, aparecem União Europeia (15,2%), EUA (11,4%), Argentina (4,6%), Chile (2,7%) e outros países/blocos (39,3%).
Krugman calcula que as exportações para os EUA representam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
“Trump realmente acredita que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem sequer depende do mercado americano, a abandonar a democracia?”, questiona ele.
Para o economista, se os EUA “ainda tivessem uma democracia funcional, essa aposta contra o Brasil seria por si só uma base para um impeachment” de Trump.
“De qualquer forma, não ignore esse fato. Estamos diante de mais um passo terrível na espiral descendente do nosso país”, conclui ele.
Fonte: BBC
Microsoft, Amazon, Meta, Alphabet(controladora do Google), Nvidia e tantas outras. As empresas mais valiosas do mundo foram em sua grande maioria fundadas por homens e são lideradas por homens.
Não faltam mulheres talentosas capazes de serem CEOs, mas, quando decidem empreender, elas costumam esbarrar em uma sucessão de barreiras que muitas vezes as impede de chegar ao topo.
Foi essa avaliação que levou a brasileira Erica Fridman e a suíça Jaana Goeggel a uma empreitada que nos próximos anos vai investir R$ 25 milhões em empresas fundadas por mulheres.
Elas são gestoras do fundo de capital de risco (venture capital) Sororitê, estabelecido no fim do ano passado com foco em empresas de tecnologia inovadoras (startups) que estejam em estágio inicial e que tenham pelo menos uma mulher entre os fundadores — o primeiro fundo desse tipo no Brasil.
Segundo Erica Fridman, nove das dez empresas de tecnologia que hoje são as maiores do mundo hoje receberam investimento de fundos de venture capital, um recurso fundamental para acelerar seu crescimento: Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta, Tesla, Broadcom e Tencent.
A única exceção da lista é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).
“Eu vejo o poder dessa indústria de gerar impacto econômico e social, o poder que tem uma Meta, um Google… tem gente que escolheu colocar dinheiro ali atrás, e não fomos nós, mulheres, porque a gente não está jogando este jogo”, diz Fridman à BBC News Brasil.
‘Seu marido trabalha?’
As estatísticas mais recentes disponíveis na plataforma Pitchbook mostram que startups lideradas só por mulheres receberam apenas 0,04% do capital investido em 2020 no Brasil – se incluídas as empresas com homens e mulheres entre os fundadores, o índice é de 2,2%.
Fridman, que durante muito tempo trabalhou para as multinacionais americanas Johnson & Johnson e Procter & Gamble antes de entrar no mundo do venture capital, diz que a razão por trás dos números ficou clara quando começou a ouvir os relatos de mulheres empreendedoras decepcionadas depois das reuniões com possíveis investidores.
“A fundadora está lá fazendo o ‘pitch‘ [apresentação para vender o projeto], a pessoa vira e pergunta: ‘Seu marido trabalha?’, ‘Você tem filhos?’… Ou então fala: ‘Nossa, como você é bonita!'”, ela exemplifica.
“Eu falo com fundadoras o dia inteiro e não tem uma que não me traz uma história triste de perguntas inapropriadas ou perguntas em que o investidor, em vez de abordar o potencial do negócio, coloca empecilhos, fica tentando achar o furo”, conta Fridman, ao falar sobre os vieses conscientes e inconscientes que levam os gestores de recursos a achar que as mulheres não conseguem dar conta da pressão de empreender.
“Nunca alguém achou que eu era menos capaz do que um homem dentro de nenhuma das empresas em que trabalhei. Eu me deparei com isso quando fui pra indústria do venture“, acrescenta a brasileira.
“É uma dúvida de competência e uma dúvida de resiliência. Será que ela vai conseguir enfrentar essa jornada tão dura e árdua? E, se ela é mulher, vai ser uma boa líder?”
Curiosamente, os números, segundo ela, mostram que as empresas lideradas por mulheres são, na verdade, mais lucrativas.
Informações reunidas pelo Pitchbook apontam que elas consomem 25% menos caixa por mês, e dados da Ewing Marion Kauffman Foundation apontam que dão retorno 35% maior sobre o investimento feito no negócio.
Fridman diz que são muitas as pesquisas nesse sentido, mas elas também são olhadas com ceticismo por quem toma a decisão sobre quem recebe investimento.
“Tem gente que não acredita. Como que a gente resolve isso? Eu não consigo resolver imediatamente, mas, a partir do momento em que o fundo começa a trazer liquidez, eu posso ir para o mercado e falar: ‘Gente, eu investi em 22 startups lideradas por mulheres e fiz sete vezes o investimento’. Essa é a melhor forma de provar”, ela argumenta.
“‘Oh, essa daqui tá com um valuation[avaliação do valor da empresa] de US$ 1 bilhão’. Não tem o que questionar se ela tem filhos, se tem marido, se ela teve tempo. Então é isso que a gente quer fazer.”
No momento, o fundo está em fase de captação, ou seja, está aberto àqueles que quiserem aportar dinheiro na expectativa de que ele traga retorno quando as empresas que receberem o recurso crescerem e multiplicarem seu valor. Até agora o Sororitê tem 43 cotistas, sendo 40 mulheres e três homens, e levantou R$ 13 milhões.
Mesmo antes de fechar os R$ 25 milhões, o fundo investiu em duas empresas no ano passado, uma de tecnologia do setor imobiliário (proptech) e outra de cibersegurança ligada ao Pix, e neste ano pretende investir em mais seis.
Meta tem programa de diversidade, equidade e inclusão, mas fundador enalteceu ‘energia masculina’
‘Energia masculina’ de Zuckerberg
O investimento acontece justamente em um momento em que cresce na política e no mundo corporativo e da tecnologia, especialmente nos Estados Unidos, uma reação contrária à diversidade, entre elas de gênero.
Em entrevista ao podcast de Joe Rogan em janeiro, o CEO da Meta e cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, disse acreditar que as empresas precisavam de mais “energia masculina” e que a cultura corporativa teria se aproximado demais de algo “neutro”.
Questionada pela reportagem sobre o episódio, Fridman resumiu dizendo que Mark Zuckerberg era “decepcionante em muitos níveis”.
E, se existe uma “energia masculina”, existiria também uma “energia feminina” no mundo dos negócios? A gestora responde que “cada pessoa tem seu estilo”, mas que as mulheres de forma geral são mais perfeccionistas e inseguras, o que faz com que elas estudem e se preparem muito mais.
“Eu falo assim: a gente compra o livro, a gente lê, grifa, faz o resumo e mesmo assim acha que não está preparada o suficiente para falar sobre o livro”, ela ilustra.
A falta de confiança, ela continua, está de certa forma ligada aos mesmos obstáculos que impedem muitas vezes as mulheres de se tornarem líderes — e que ela espera ver mudar quando mais mulheres alcançarem essas posições.
Fonte: Correio Brasiliense
A professora de Direito Tributário, Karla Borges, auditora fiscal da SEFAZ da Prefeitura de Salvador, colaboradora do Instituto Happiness do Brasil (fundado pela baiana Sandra Teschner), ministrou palestra ontem no auditório da secretaria para auditores fiscais, discorrendo sobre os desafios de motivar o grupo num difícil ambiente organizacional.
Confiram um trecho!
A proteção do bem de família deve ser interpretada de forma ampla, abrangendo não apenas o núcleo formado por pais e filhos menores, mas também outros arranjos familiares.
Esse foi o entendimento do juiz Leonardo Araujo de Miranda Fernandes, da 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG), para negar a penhora de um bem de família.
Conforme os autos, o INSS cobra de uma servidora aposentada uma dívida no valor de R$ 703 mil. No curso do processo, a autarquia conseguiu penhorar alguns ativos financeiros da executada e solicitou a penhora do imóvel familiar.
Foi expedido mandado de penhora, mas o oficial de Justiça deixou de cumpri-lo pelo fato de o imóvel aparentar tratar-se de bem de família, protegido pela Lei 8.009/90.
Foi expedido, então, um novo mandado para verificar o caráter de bem de família do imóvel, que é dividido em três pisos, sendo o térreo destinado ao estacionamento de veículos e à área de lazer. Na parte de cima foram construídos dois apartamentos independentes entre si, inclusive com interfones separados.
O INSS alegou que o imóvel poderia ser parcialmente penhorado, já que um dos apartamentos era habitado apenas pelos filhos maiores de idade da aposentada.
A defesa da executada alegou que o imóvel possui matrícula única e indivisível, sendo destinado a moradia permanente da família, o que o torna impenhorável.
Ao analisar o caso, o julgador acolheu integralmente os argumentos da defesa e reconheceu que o imóvel era impenhorável. “No caso em análise, restou comprovado que as filhas da executada residem no imóvel há muitos anos, compartilhando espaços comuns e mantendo vínculos familiares estreitos, o que caracteriza a existência de uma entidade familiar única.”
Por fim, o juiz lembrou que a impenhorabilidade do bem de família visa proteger não apenas o patrimônio do devedor, mas a entidade familiar como um todo, especialmente em situações onde o imóvel constitui a única residência da família.
Atuou no caso o advogado Kayo César Araújo da Silva.
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Processo 1005769-13.2020.4.01.3813
Fonte: Conjur

