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Salvador tem terceira queda mais intensa do PIB entre as capitais

19 de dezembro de 2022

PIB: economia soteropolitana está em queda livre?

Capital baiana se distancia ainda mais do podium e vai para o 12º lugar no ranking do PIB dos municípios, perdendo espaço para Fortaleza


O Produto Interno Bruto (PIB) de Salvador sofreu a terceira maior queda nominal entre as capitais do país no período de 2019 e 2020, apresentando percentual negativo de -7,8%. O resultado, portanto, foi estimado em R$ 58,938 bilhões, sendo menor do que em 2019, quando fechou em torno de R$ 63,902 bilhões. Os dados foram divulgados na manhã desta sexta-feira (16) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em videoconferência acompanhada pela equipe do BadeValor.

Com isso, a capital baiana se distancia ainda mais do podium e vai para o 12º lugar no ranking do PIB dos municípios, perdendo espaço para Fortaleza, que passa a ocupar o 11º lugar. Essa foi a terceira queda percentual mais intensa entre as capitais, menor apenas do que as verificadas em Curitiba-PR (-8,1%) e Recife-PE (-8,0%). Foi também o primeiro resultado negativo para a economia soteropolitana nos 18 anos da série histórica do PIB dos Municípios, iniciada em 2002, passando a ser a capital brasileira com o menor PIB per capita (R$ R$ 20.417,14).

De acordo com o coordenador de Contas Regionais da SEI, João Paulo Caetano, Salvador sofreu bastante com a pandemia e somado a isto a falta de investimentos em cultura, que é um setor de grande relevância para o município. “A cultura impacta em outros setores. E como foi muito prejudicada reflete na economia local. Outros dois setores que caíram bastante foram os de alojamento e alimentação”, observa.

Na análise da coordenadora de Divulgação do Censo 2022 na Bahia, Mariana Viveiros, o resultado mostra tendências que se mantiveram. Salvador, por exemplo, continua sofrendo com a perda de participação. “Por um lado vejo isso como benéfico para o Estado, já que ocorre uma desconcentração da economia. Outras cidades acabam ganhando em participação e isso mostra uma diversificação boa. Mas quando olhamos salvador em relação a outras cidades do país, essa perda precisa ser avaliada de forma mais profunda, pois a cidade era a oitava economia do país em 2002. É uma perda muito importante”.

Viveiros ainda observa que a maioria das cidades baianas, assim como ocorre em outros estados do país, são muito dependentes da administração pública. “Na Bahia são mais de 86 municípios que têm mais da metade do seu PIB dependentes do governo. Isso fez com que não fossem tão atingidos pela pandemia, por outro lado perdem o dinamismo econômico que é muito importante. Mas isso é uma realidade que vemos no pais todo”, destaca.

Impactos da Pandemia

Marcado pelos impactos da pandemia da Covid-19, o ano de 2020 sofreu recuo do PIB em volume (desconsiderando a variação dos preços), no país (-3,3%) e em 24 das 27 unidades da Federação, inclusive na Bahia (-4,4%). Dentre as 27 capitais (incluindo Brasília), 18 registraram quedas nominais. No outro extremo, as capitais com os maiores crescimentos nominais do PIB, entre 2019 e 2020, foram Boa Vista/RR (10,5%), Porto Velho/RO (8,6%) e Manaus (8,5%). O PIB dos Municípios não tem variações em volume.

Apesar de ter tido uma importante queda nominal do PIB, diante do cenário geral de retrações em 2020, Salvador manteve suas posições nos rankings das maiores Economias municipais: continuou na 12a posição entre todos os municípios do país, na 9a posição entre as capitais brasileiras e na 2a posição entre as cidades do Nordeste.

O desempenho da economia soteropolitana também levou a capital a ter, de 2019 para 2020, a 9a maior perda de participação no PIB nacional, dentre todos os 5.570 municípios brasileiros: passando de 0,86% para 0,77%. Considerando apenas as capitais, Salvador teve a 6a maior perda de participação no PIB brasileiro.

Por outro lado, a Bahia teve dois municípios entre os 30 que mais ganharam participação no PIB brasileiro, entre 2019 e 2020: São Desidério (9o maior ganho de participação, de 0,035% para 0,064%) e Formosa do Rio Preto (12o maior ganho, de 0,025% para 0,050%). Em ambos os casos, o aumento de participação foi puxado pela alta dos preços internacionais das commodities agrícolas, sobretudo a soja.

Serviços

De um ano para o outro, os serviços privados (inclusive a administração pública), que têm o maior peso na composição do PIB de Salvador, apresentaram a maior perda nominal (-10,3%), resultado sobretudo das restrições às atividades do setor, necessárias durante o primeiro ano da pandemia de COVID-19.

Foi o segundo recuo nominal consecutivo dos serviços na capital (que já haviam mostrado queda de 0,9% de 2018 para 2019), o maior de toda a nova série histórica do PIB dos Municípios (iniciada em 2002) e que levou o valor gerado pelos serviços privados ao patamar de R$ 35,251 bilhões, o mais baixo desde 2015.

Também fez o setor de serviços privados perder um pouco de participação tanto no valor gerado pelas atividades produtivas na capital baiana (valor adicionado bruto), de 71,1% em 2019 para 69,4% em 2020, quanto no PIB como um todo (que soma o valor adicionado bruto aos impostos), de 61,5% para 59,8%.

Entre 2019 e 2020, a indústria de Salvador (-4,4%) teve a sexta retração nominal consecutiva (cai desde 2015), gerando um valor adicionado bruto de R$ 6,493 bilhões. Ainda assim, como recuou menos do que os serviços, o setor manteve sua participação na Economia soteropolitana praticamente estável, com discreta tendência de alta: respondia, em 2019, por 12,3% do valor adicionado bruto e 10,6% do PIB da capital, passando, em 2020, a 12,8% e 11,0%, respectivamente.

Sob efeito dos impactos econômicos da pandemia, até a administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social, que nunca havia apresentado queda nominal do valor gerado, em Salvador, se retraiu entre 2019 e 2020 (-1,9%).

A atividade gerou R$ 8,967 bilhões e, como teve o recuo mais brando, ganhou participação na Economia soteropolitana. Passou de 16,5% do valor adicionado bruto, em 2019, para 17,7% em 2020; e de 14,3% para 15,2% do PIB, no mesmo período. O valor gerado pelos impostos, líquidos de subsídios foi de R$ 8,171 bilhões em 2020, com queda nominal de 5,0% frente a 2019 e representando 13,9% do PIB de Salvador.

Maior PIB do país

O município de São Paulo/SP tem, historicamente, o maior PIB do país, R$ 748,759 bilhões em 2020, representando 9,8% do nacional e quase 13 vezes o soteropolitano. Dentre os dez municípios com maiores PIB no país, em 2020, só três não eram capitais, todos eles paulistas: Osasco-SP (R$ 76,311 bilhões, 7o maior PIB), Guarulhos-SP (R$ 65,849 bilhões, 9omaior) e Campinas-SP (R$ 65,419 bilhões, 10º maior).

Entre 2019 e 2020, São Paulo/SP liderou o movimento de perda de participação no PIB do país, caindo de 10,33% para 9,84%. Em seguida vieram Rio de Janeiro-RJ (de 4,80% para 4,35%) e Brasília-DF (de 3,70% para 3,49%).

Fonte: Joana Lopo para Bahia de Valor

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