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Existe felicidade ao pagar tributo? Leia o artigo de Karla Borges publicado na edição de sábado do Jornal A Tarde

29 de março de 2026

Carlos Heitor Cony discorreu num artigo sobre a imensa e complexa diversidade do gosto humano, instituindo uma escala de valores subjetivos para apreciar ou detestar pessoas, coisas, instituições e produtos. Pouquíssimas são as exceções nesse campo comportamental. Há gente que gosta de sofrer, de galinha caipira e de quiabo. O que nunca se viu- nem se verá – é um alucinado que goste de pagar tributos.

Nem por isso eles deixam de ser imprescindíveis, remontando aos primórdios da humanidade. A organização social exigiu um custo que teria que ser pago necessariamente por alguém ou por todos, nascendo, assim, a história da tributação. E onde fica a felicidade nesse contexto? Existiria bem-estar em contribuir para o Estado?

Um dos argumentos do pavor ao tributo está ligado a dobradinha custo-benefício. Paga-se o tributo, mas qual o retorno? O que se recebe? A Finlândia tem uma carga tributária altíssima, mas uma ampla gama de serviços públicos.  Os impostos podem fazer parte do motivo pelo qual o país tem ficado nas primeiras colocações no Relatório Mundial de Felicidade. De acordo com uma pesquisa encomendada pela Administração Tributária, 80% dos finlandeses estão felizes em pagar seus impostos, 96% acreditam que arcar com os tributos é um importante dever cívico e 98% externam que eles são importantes para o bem-estar da coletividade.

Os países que mais pagam Imposto de Renda (IR) são aqueles com alto nível de desenvolvimento. Pagar imposto pode ser bom, sobretudo, por ter a oportunidade de contribuir com aqueles que gozam de isenção, exatamente, por não terem rendimentos suficientes para colaborar. Afinal, só paga, quem ganha, quem não ganha, não paga. O ideal para o ser humano, seja ele contribuinte ou não, é vibrar naquilo que se tem e não naquilo que faz falta.

O Brasil evoluiu muito com o SUS, um dos melhores sistemas de saúde do mundo, com programas de vacinação, de combate a doenças e fornecimento de medicamentos gratuitos. Na área de educação, foram criados o Fies, Prouni e o Ciência sem fronteira. Iniciativas foram consolidadas como Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos e Bolsa Família. A busca pela tarifa zero de transporte coletivo torna-se primordial, uma vez que a isenção de IR para quem ganha até 5 mil reais já foi adotada, sendo um exemplo de justiça fiscal.

A expectativa do fim da escala 6 X 1 trará uma melhora significativa na qualidade de vida e no termômetro de felicidade dos trabalhadores brasileiros. Pagar tributos, em qualquer lugar do mundo, será sempre uma ação solidária. Ditoso aquele que pode colaborar para uma sociedade mais igualitária, afinal somos felizes quando podemos também contribuir para a felicidade do outro!

Karla Borges

Publicado no Jornal A Tarde de 28/03/2026

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