Pular para o conteúdo

Maior devedor de impostos do Brasil vive nos EUA

24 de fevereiro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante entrevista coletiva em Nova Déli, na Índia, que enviou informações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um empresário brasileiro que vive atualmente em Miami, na Flórida, e que seria o maior devedor de impostos do Brasil. Embora não tenha citado o nome diretamente, a descrição levou à identificação de Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Advogado de formação, Magro assumiu a Refit em 2008, em meio a dificuldades financeiras da empresa. Desde então, seu nome passou a circular em investigações envolvendo o mercado de combustíveis, um dos setores mais visados por esquemas de sonegação fiscal no país. Segundo a Receita Federal, a Refit é apontada como a maior devedora contumaz do Brasil, acumulando mais de R$ 26 bilhões em débitos tributários.

Ao longo dos anos, o empresário foi alvo de diferentes apurações. Em 2016, chegou a ser preso sob suspeita de envolvimento em desvios de recursos dos fundos de pensão Petros e Postalis, mas acabou absolvido. Também foi investigado por suposta corrupção na Agência Nacional do Petróleo, caso que acabou arquivado. Seu nome apareceu ainda nos Panama Papers, associado a seis empresas offshore abertas pelo escritório Mossack Fonseca.

Mais recentemente, a Refit foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, investigação que apura fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2022, Magro também foi relacionado a um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo 188 empresas, conforme investigação da Polícia Civil. O Ministério Público Federal o acusa ainda de desviar R$ 90 milhões dos fundos Petros e Postalis.

Vivendo nos Estados Unidos, Magro mantém negócios fora do Brasil, incluindo uma refinaria no Texas e uma consultoria em Portugal chamada Pragmatismus. A atuação internacional e o uso de estruturas offshore aumentaram a complexidade das apurações e ampliaram o alcance das suspeitas.

Apesar das acusações, o empresário nega irregularidades. Em entrevistas, afirma ser vítima de perseguição por grandes companhias do setor de combustíveis, que teriam resistência ao seu modelo de negócio. Ele também declarou já ter sofrido ameaças de integrantes do PCC e de pessoas ligadas à facção.

Em maio de 2023, Magro foi elogiado publicamente pelo senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, durante um evento em Nova York. O parlamentar chegou a afirmar que mantém relação de amizade com o empresário. Ciro também apresentou emendas ao Projeto de Lei Complementar 125/2022, que trata da regularização de empresas devedoras, abrindo caminho para que companhias com grandes passivos tributários possam evitar punições mais severas caso mantenham suas atividades.

A menção feita por Lula a Trump adiciona um componente diplomático ao caso e amplia a repercussão internacional envolvendo um dos empresários mais controversos do setor de combustíveis no Brasil.

Fonte: Revista Piaui

From → Notícias

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora