Pular para o conteúdo

Trump afunda montadoras dos EUA para favorecer carros japoneses

25 de julho de 2025

A decisão do presidente Donald Trump de cortar de 27,5% para 15% as tarifas de importação sobre carros japoneses, enquanto manteve intactas as sobretaxas de 25% sobre veículos do Canadá e do México e aplicou alíquotas de até 50% sobre insumos como aço e cobre, teve efeito imediato e contundente no setor automotivo. No pregão desta quarta-feira (24), a Toyota valorizou 11,42% na Bolsa de Tóquio, com suas ações fechando a US$ 17,30. A Honda seguiu o movimento e avançou 8,59%, encerrando o dia a US$ 10,03.

Enquanto as montadoras japonesas comemoravam os lucros com o novo cenário tarifário, as gigantes americanas sentiram o impacto diretamente em seu valor de mercado. A General Motors (GM) viu suas ações despencarem 8,12% na bolsa de Nova Iorque, cotadas a US$ 48,89.

A Ford e a Stellantis também registraram perdas significativas. Essas empresas operam com uma cadeia produtiva integrada ao USMCA (acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá), onde as tarifas elevadas continuam a incidir sobre componentes essenciais, como autopeças, aço e cobre, tornando a produção local mais cara.

O novo pacote tarifário criou uma distorção competitiva sem precedentes: carros japoneses chegam aos Estados Unidos pagando menos imposto do que veículos produzidos com alto conteúdo local. A American Automotive Policy Council (AAPC), que representa GM, Ford e Stellantis, reagiu de forma dura, classificando a medida como “nociva à indústria e aos trabalhadores americanos”. A entidade teme desindustrialização acelerada e perda de empregos em regiões já fragilizadas economicamente.

A GM calcula que, somente no segundo trimestre, as tarifas impactaram seus custos em US$ 1,1 bilhão. A projeção é que esse número salte para até US$ 5 bilhões ao final do ano. A Stellantis também sofreu: anunciou prejuízo de US$ 327 milhões no semestre, atribuídos às restrições comerciais.

Medida de Trump está sendo contestada

O episódio guarda semelhanças com uma decisão anterior da administração Trump, relacionada ao setor alimentício. Na ocasião, o governo pressionou pela volta do uso de açúcar de cana na fórmula da Coca-Cola, sob o argumento de resgatar o sabor original.

No entanto, o maior exportador global de açúcar de cana é o Brasil — alvo, simultaneamente, de uma tarifa de 50% imposta pelos próprios Estados Unidos. O resultado será um aumento nos custos da produção, barreiras comerciais e prejuízos às exportações brasileiras, num movimento que misturou protecionismo com contradição geopolítica.

O caso atual repete a lógica: ao tentar beneficiar a indústria local com discursos nacionalistas, o governo estadunidense acaba por favorecer concorrentes estrangeiros e gerar perdas concretas para a economia americana. A Toyota e a Honda, por exemplo, aumentaram instantaneamente sua margem de lucro nos Estados Unidos sem precisar alterar processos produtivos.

A reação política promete ser intensa. Congressistas de estados como Michigan, Ohio e Illinois, berço da indústria automobilística americana, já articulam audiências públicas e questionamentos formais ao Departamento de Comércio. Sindicatos planejam manifestações e alertam para os riscos de demissões em massa.

Canadá e México também se movimentam. Fontes diplomáticas confirmam que ambos os países avaliam acionar os mecanismos de disputa do USMCA para contestar as mudanças, alegando quebra de isonomia e favorecimento indevido ao Japão. A União Europeia monitora o caso de perto e pode tomar medidas semelhantes caso avalie desequilíbrio no comércio de autopeças.

No radar do mercado e dos analistas políticos estão três pontos principais:

  1. A possibilidade de cortes em investimentos e fechamento de fábricas por parte da GM.
  2. A mobilização dos sindicatos americanos.
  3. O impacto eleitoral de medidas que prejudicam trabalhadores industriais em estados-chave.

Fonte: ICL

From → Notícias

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora