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Política fiscal em Salvador motiva queda no mercado imobiliário

17 de agosto de 2024

Recente reportagem do Jornal A Tarde, intitulada “Grande Salvador teve um salto de 559% em lançamentos de imóveis”, causou perplexidade à população diante da sinalização de que esse crescimento não atingiu a capital baiana, apenas as cidades vizinhas.

A Região Metropolitana de Salvador apresentou um salto surpreendente no primeiro semestre de 2024, no comparado com o mesmo período do ano anterior, com crescimento de 559,9% em número de unidades lançadas, passando de 242 para 1.597 unidades. Esses números refletem o crescimento do Minha Casa, Minha Vida e colocam a Região Metropolitana de Salvador em primeiro lugar no número de unidades lançadas no Nordeste, na frente da RM de Fortaleza e Recife. Os resultados foram apresentados pela Brain Inteligência Estratégica, durante reunião realizada pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) para associados.
Em Salvador, houve queda de um terço do número de unidades lançadas, ainda que o Valor Geral de Vendas (VGV) tenha registrado R$ 2,076 bilhões no primeiro semestre de 2024. O ticket médio do valor de imóveis em Salvador é de R$ 541 mil, e na Região Metropolitana, R$ 392 mil.
Os bairros de Piatã (23%), Arraial do Retiro (11%), Barra (8,1%), Itapuã (6,9%), Rio Ver- melho (5,3%), Jaguaribe (3,5%) e Pituba (2,8%) estão entre as regiões de Salvador que dominaram as vendas. A tipologia de dois dormitórios (71%) e as tipologias quarto e sala e studio (20%) foram as que tiveram mais unidades vendidas.
A disponibilidade de imóveis também foi analisada pela Brain Inteligência Estratégica. Diante da diminuição de lançamentos, Salvador termina apresentando um número de unidades disponíveis baixo, com apenas 4084 unidades. Ora, se há uma redução significativa de novos empreendimentos, a tendência é a cidade ter cada vez menos unidades a serem comercializadas.

Consultados, alguns corretores de imóveis atribuíram a queda de oferta de imóveis em Salvador, a política fiscal que vem sendo adotada nos últimos 10 anos pela Prefeitura. O IPTU alto tem inviabilizado a compra de imóveis novos e a própria insegurança do cliente em não saber se haverá aumentos ainda maiores no futuro. “Eles têm optado por imóveis mais antigos por saberem que os valores do imposto estão travados”, disse um antigo dono de imobiliária da cidade. A outra grande preocupação no momento da compra é o valor do imóvel que vem sendo arbitrado pelo fisco soteropolitano, tornando assustadora a base de cálculo do ITIV, imposto de transmissão de bens imóveis, geralmente, três vezes maior do que o valor efetivo da transação imobiliária, desestimulando a concretização do negócio. “O cliente compra um imóvel por 400 mil e pela legislação de Salvador teria que pagar o ITIV de 12 mil. Quando você vai na SEFAZ o valor atribuído ao imóvel lá é de hum milhão e duzentos mil reais, totalmente incompatível com o valor de mercado/transacionado, e a Prefeitura de Salvador obriga o comprador a pagar 36 mil de ITIV, quando o valor correto seria de 12 mil. A maioria não quer discutir ou entrar na justiça, desistindo do negócio. Assim, perdemos a venda. Isso desestimula demais o mercado imobiliário”, relata uma corretora que preferiu não se identificar.

Fonte: Jornal A Tarde, Pesquisa de Campo e NET


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