Pular para o conteúdo

Deficit nas contas externas do país quase dobra no primeiro semestre

25 de julho de 2013
Em meio a cenário internacional turbulento, rombo foi de US$ 43,5 bilhões de janeiro a junhoDesvalorização do real ante o dólar só deve ter efeito na balança comercial em 2014, preveem economistasMARIANA SCHREIBER
SHEILA D’AMORIM
DE BRASÍLIA

Em meio a um cenário internacional turbulento, cresce a dependência do Brasil por recursos externos. No primeiro semestre, o rombo na conta que registra as principais transações com os demais países cresceu quase US$ 20 bilhões em relação a 2012, de US$ 25,3 bilhões para US$ 43,5 bilhões.

O patamar é recorde para o período e, pela primeira vez desde 2010, não foi coberto inteiramente por investimentos direcionados à produção, considerados menos voláteis que os financeiros, como os direcionados a ações e renda fixa.

Apesar de robusto, o fluxo de US$ 30 bilhões dos chamados investimentos diretos ficou abaixo do deficit em transações correntes.

“A tendência é ruim, havia muitos anos que isso não acontecia”, afirma o economista-chefe da gestora de recursos Opus, José Marcio Camargo. Ele diz que a diferença poderá ser revertida se houver uma política econômica crível que atraia fluxo suficiente de investimentos.

Diante das incertezas que prevalecem em relação ao ritmo de crescimento mundial e aos impactos das mudanças na política econômica dos EUA e da desaceleração da China, o fluxo de recursos externos passou a ser menos favorável a economias emergentes como a brasileira.

EFEITOS DO CÂMBIO

Apesar de projetar um aumento para US$ 75 bilhões no deficit nas contas externas no fim de 2013, a aposta do Banco Central é que a desvalorização do real, que vem sendo registrada desde maio, ajudará a conter o avanço da deterioração desse saldo.

Até agora, porém, o dólar mais caro, que encarece as importações e torna mais competitivas as vendas de produtos para o exterior, não gerou impacto sobre as contas. O rápido crescimento do deficit nas transações com o exterior foi puxado por uma piora de US$ 10 bilhões no saldo da balança comercial.

Economistas estimam em cerca de um ano o prazo para que o novo patamar de câmbio passe a reverter a forte e rápida deterioração comercial do país, com impacto positivo sobre as contas externas –o que, na melhor das hipóteses, deve acontecer no início da campanha eleitoral para reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Até lá, a economia brasileira fica mais exposta aos desdobramentos externos. Na visão do economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, nesse processo, a palavra-chave é confiança.

É isso que garantirá o ingresso de investimentos necessários para melhorar crescimento e mais competitividade com retirada de gargalos em infraestrutura.

Segundo o economista, o quadro “é difícil, mas não catastrófico”. Ele estima que o deficit externo se estabilizará em torno de 3,5% do PIB. Hoje, o valor acumulado em 12 meses está em 3,17%.

“O Brasil atravessa um momento em que a confiança é fundamental e isso passa por regras econômicas claras, inflação em queda, contas externas estabilizadas.”

 

Fonte: Folha de S.Paulo

From → Notícias

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora